
Começa a contagem decrescente para o começo de um novo ano, ou para o fim de um velho. É uma altura de grande reflexão. Pensamos no que fizemos, no que nos faltou fazer, no que correu bem, no que correu mal. No fundo, pensamos em cada dia do ano que está a acabar, englobando atitudes, sentimentos, emoções, aventuras ou desventuras, enfim... Colocamos tudo numa balança e temos esperança que as coisas positivas tenham mais peso e que possamos guardar o ano na caixinha das recordações e seguir em frente com vontade que o próximo seja ainda melhor. Pela primeira vez eu não quero guardar o ano que está a chegar ao fim numa caixa de recordações: como posso querer recordar um ano assim? Vou antes guardar momentos. Sim, porque nem tudo foi mau, houve momentos bons, muito bons, mas que infelizmente não chegam para contrabalançar o peso das coisas negativas que se acumularam num dos pratos da balança. Este ano fez-me crescer. Não que eu quisesse. Não que eu tivesse pedido. Mas tive que crescer e tive que lidar com coisas que ninguém compreenderia. Este ano eu vi alguém que amo sofrer muito, e eu senti toda aquela angústia em mim... Este ano eu arrependi-me por ter acreditado cegamente que a Sofi era suficientemente forte, e perdi a oportunidade de lhe dizer Adeus... Este ano o meu orgulho foi ferido. O meu coração foi partido. Pisado. Este ano eu soube o que é uma desilusão. Várias vezes. Este ano eu senti-me pequena, senti que ninguém me ouvia gritasse eu o que gritasse. Eram gritos de desespero. E ninguém os ouvia. Este ano terminei a licenciatura e não tive um Verão para descansar... Este ano eu descobri que quando se gosta muito de alguém, se é capaz de perdoar coisas impensáveis. E (re)aprender a acreditar.Mas este ano... Doeu. Mas eu cresci. Este ano fez-me mais forte e eu sei que não vou voltar a cometer os mesmos erros... Não vou voltar a esperar que alguém recupere de uma doença para decidir fazer uma visita... Não vou voltar a deixar que me firam o orgulho... Não vou permitir mais desilusões nem vou desiludir mais ninguém... Vou dedicar-me ao meu mestrado e a quem me quer bem... Agora que 2009 chega ao fim eu faço uma reflexão sobre tudo o que se passou em 12 meses. Faço uma reflexão e guardo 2009 numa caixa qualquer. Não numa caixa de recordações. Numa caixa para nunca mais abrir. Para nunca mais pensar.
O resto, o que foi bom, fica aqui guardado em mim, para me lembrar sempre que mesmo de um cenário negro se podem tirar coisas com cor. E vou usar essas cores para começar a pintar um ano 2010 que tenho esperança que venha a ser um bom ano para guardar numa caixa de recordações.

















